BIM na arquitetura de clínicas e hospitais
Modelo BIM de estabelecimento de saúde em tela de computador

BIM na arquitetura de clínicas e hospitais

Guia de conteúdo

BIM é o método de projeto em que a edificação é desenhada como um modelo digital, com informação em cada elemento. Cada parede, porta, pia e equipamento sabe o que é, onde está e do que é feito. Em clínicas e hospitais, onde a obra reúne gases medicinais, climatização, elétrica de emergência e água em quase toda sala, esse modelo ajuda a encontrar conflito antes da obra.

  • BIM quer dizer Building Information Modeling, ou modelagem da informação da construção.
  • O modelo gera plantas, cortes, quantitativos e listas a partir da mesma base, então um ajuste aparece em todas as pranchas.
  • Em estabelecimento de saúde, o ganho maior está na compatibilização entre arquitetura e instalações.
  • A Vigilância Sanitária analisa desenhos e relatório técnico, e o BIM ajuda a manter nomes e áreas dos ambientes coerentes.
  • No Brasil, a ABNT publicou em 2022 as partes 1 e 2 da NBR ISO 19650, que tratam da gestão da informação em BIM.

Quem está planejando uma clínica ou um hospital ouve falar de BIM na primeira reunião com o arquiteto e raramente recebe a explicação do que muda na prática. BIM na arquitetura interessa ao dono do estabelecimento pelo resultado: menos surpresa na obra e documentação mais consistente para a aprovação.

Abaixo estão o que é o método, a diferença para o desenho em CAD, onde ele pesa num projeto de saúde, o que diz a norma brasileira e as dúvidas mais comuns de quem vai contratar.

O que é BIM na arquitetura

BIM é um método de trabalho em que o projeto nasce como um modelo tridimensional e cada elemento carrega dados próprios. Uma parede no modelo tem espessura, altura, material, acabamento e o ambiente que ela separa, e a porta sabe a largura do vão livre.

A partir desse modelo, o software gera as pranchas do projeto. Planta, corte, elevação e quadro de áreas saem da mesma base, e por isso uma mudança feita num lugar aparece em todos os desenhos.

O formato aberto usado para trocar modelos entre programas diferentes é o IFC, sigla de Industry Foundation Classes. Ele permite que o arquiteto trabalhe num software e o projetista de instalações em outro, com o modelo circulando entre os dois.

Em propostas de projeto, aparecem também os termos 4D e 5D. O 4D é o modelo ligado ao cronograma da obra, que mostra o que é construído em cada etapa, e o 5D é o modelo ligado ao custo, com os quantitativos alimentando o orçamento.

Qual a diferença entre BIM e desenho em CAD

A diferença está na informação: no CAD o desenho é feito de linhas, e no BIM ele é feito de objetos que sabem o que são. A tabela compara os dois no que interessa a quem contrata o projeto.

Critério Desenho em CAD 2D Modelo em BIM
O que se desenha Linhas, hachuras e textos Objetos com dados: parede, porta, pia, luminária
Planta e corte Desenhados separadamente Gerados do mesmo modelo
Mudança de projeto Precisa ser repetida em cada prancha Aparece em todas as pranchas
Quadro de áreas Calculado à parte Sai do próprio modelo
Conflito entre disciplinas Percebido na sobreposição manual das plantas Detectado pelo software, em três dimensões
Quantitativo de materiais Levantado à mão Extraído do modelo

O CAD continua resolvendo bem projetos simples, como a troca de layout de um consultório sem obra de instalação. O BIM mostra mais vantagem quando há muitas disciplinas dividindo o mesmo espaço, que é o caso de quase todo estabelecimento de saúde.

Por que o BIM pesa mais em projeto de saúde

Estabelecimento de saúde concentra mais instalações por metro quadrado do que um escritório ou uma loja, e o BIM é o método que coloca todas elas no mesmo modelo. É nesse encontro de disciplinas que ficam os conflitos que aparecem na obra, e é por isso que o projeto de arquitetura para hospitais trata instalação e layout juntos desde o começo.

A RDC 50 da Anvisa pede que o Projeto Básico de Arquitetura mostre a posição de louças, bancadas, leitos e equipamentos não portáteis, incluindo climatização, gases medicinais e armazenamento de resíduos. Esses itens dependem de pontos de água, esgoto, energia e gases, e o modelo ajuda a posicionar cada um deles já na etapa de projeto básico.

Compatibilização de instalações

Compatibilização é a verificação de que arquitetura, estrutura, elétrica, hidráulica, climatização e gases medicinais cabem juntos sem se cruzar. No modelo BIM, o software aponta onde um duto de ar-condicionado passa pela mesma altura de uma tubulação ou de uma viga.

Numa sala de procedimentos, o forro costuma receber luminária, difusor de ar, sprinkler e às vezes ponto de gás. Resolver o encontro dessas peças no modelo é mais simples do que resolver no forro aberto durante a obra.

Equipamentos e layout

O modelo recebe os equipamentos com as dimensões reais, e isso ajuda a testar o layout antes de fechar a planta. Uma cadeira odontológica, uma maca ou um equipamento de imagem ocupa área, pede circulação em volta e tem pontos de instalação próprios.

Com o equipamento modelado, dá para conferir se a maca passa pela porta de 1,10 m que a RDC 50 exige para passagem de maca e se a circulação em volta do leito está livre.

Exemplo hipotético: uma clínica de imagem decide trocar o equipamento previsto por um modelo maior depois do projeto básico. No modelo, a troca mostra na hora se a porta, a área em volta do equipamento e os pontos de energia continuam atendendo. No desenho em CAD, cada prancha afetada precisaria ser revista à mão.

Quantitativos e orçamento

O modelo extrai quantidades de materiais e acabamentos, como metros quadrados de piso vinílico, metros de rodapé sanitário e número de portas por tipo. Essas listas ajudam a orçar a obra e a comparar propostas de construtoras com a mesma base.

A precisão do quantitativo depende do quanto o modelo foi detalhado. Um modelo de estudo preliminar dá ordem de grandeza, e o modelo do projeto executivo dá lista de compra.

O BIM ajuda na aprovação da Vigilância Sanitária?

Ajuda na consistência da documentação, e a análise continua sendo feita sobre desenhos e relatório técnico. A RDC 50 pede que o PBA traga plantas, cortes e fachadas com todos os ambientes nomeados conforme a lista da própria resolução, com dimensões e áreas internas.

No BIM, cada ambiente é um objeto com nome e área calculada pelo modelo. Quando o nome de uma sala muda, ele muda na planta, no quadro de áreas e na legenda ao mesmo tempo, e isso reduz a chance de a Vigilância encontrar um ambiente chamado de um jeito no desenho e de outro no relatório.

O que a Vigilância exige, prancha por prancha, está no nosso guia da RDC 50/2002.

O que dizem as normas brasileiras sobre BIM

A ABNT publicou em 27 de maio de 2022 as partes 1 e 2 da NBR ISO 19650, a norma de gestão da informação em projetos que usam BIM. A parte 1 traz conceitos e princípios, e a parte 2 trata da fase de entrega do empreendimento.

Na esfera pública, o governo federal mantém a Estratégia BIM BR, consolidada pelo Decreto 11.888/2024. A Lei 14.133/2021, de licitações e contratos, determina que o BIM seja adotado preferencialmente em obras e serviços de engenharia e arquitetura, sempre que adequado ao objeto.

Para clínica ou hospital particular, essas regras funcionam como referência de boas práticas. A escolha do método é do projeto, e a NBR ISO 19650 ajuda a combinar desde o início quais informações o modelo vai ter e quem entrega o quê.

O que o modelo faz depois da obra

O modelo BIM entregue atualizado ao fim da obra vira uma base de consulta para a manutenção do estabelecimento. Ele guarda onde passa cada tubulação, qual é o acabamento de cada sala e onde fica cada equipamento.

Em hospital, isso ajuda em reformas por etapas, quando uma ala precisa mudar sem parar o resto. Saber onde estão os pontos de gás e as prumadas antes de abrir parede torna a obra de adequação mais previsível.

Para o modelo servir depois da obra, ele precisa ser atualizado com o que foi de fato construído. Vale combinar essa entrega no contrato do projeto e da obra.

Como usamos o modelo para testar a planta antes de fechar

Recomendamos modelar o estabelecimento de saúde com os equipamentos e as instalações principais desde o estudo preliminar, porque é nessa fase que o layout ainda muda sem custo. Cada consultório, sala de procedimento e área de apoio entra no modelo com o nome da lista da RDC 50 e com a área que a norma pede.

O critério que usamos é simples: o fluxo precisa funcionar no modelo antes de a planta ir para a Vigilância. Circulação de maca, porta de sanitário de paciente abrindo para fora e separação entre o fluxo limpo e o sujo são conferidos em três dimensões, e o layout só fecha depois disso.

Na equipe da Kanno Arquitetura, a Luisa Kanno, que assina este artigo, é especialista em BIM e pós-graduada em Gestão em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein.

O que recomendamos a quem vai contratar projeto de saúde:

  • Perguntar em que formato o modelo será entregue e se ele vem no formato aberto IFC.
  • Combinar se o modelo será atualizado com o que foi construído ao fim da obra.
  • Pedir que os projetos de instalações sejam compatibilizados no modelo antes do projeto executivo.
  • Usar o quantitativo do modelo como base para comparar orçamentos de obra.

Erros comuns ao usar BIM em projeto de saúde

Os erros mais comuns vêm de usar o BIM só como ferramenta de desenho e deixar a informação de lado. Todos se resolvem com combinação clara no início do projeto.

Modelar a arquitetura e desenhar as instalações à parte. Acontece quando cada disciplina usa um método diferente. O caminho é trazer as instalações para o mesmo modelo, em BIM ou em IFC, e fazer a compatibilização antes do executivo.

Deixar os equipamentos para depois. Acontece porque a lista de equipamentos costuma chegar tarde. Um modelo com os equipamentos principais, mesmo em versão genérica, já mostra área, circulação e pontos de instalação, e o fornecedor definitivo entra depois.

Nomear ambientes com nomes próprios da clínica. Acontece porque a equipe chama a sala pelo uso do dia a dia. No modelo, o nome oficial da RDC 50 pode ficar junto do nome interno, e o PBA sai com a nomenclatura que a Vigilância reconhece.

Encerrar o modelo na entrega do projeto. Acontece quando ninguém combina a atualização. Prever no contrato a revisão do modelo com o que foi construído transforma o arquivo em ferramenta de manutenção.

Quem quer entender como a planta separa circulação limpa e suja encontra o detalhe no artigo sobre fluxo limpo e fluxo sujo em estabelecimentos de saúde.

Perguntas frequentes sobre BIM na arquitetura

BIM é obrigatório para clínica particular?

Não há obrigação federal geral de BIM para obra particular. A exigência federal aparece nas contratações públicas, pela Lei 14.133/2021 e pela Estratégia BIM BR, e para a clínica particular o método é uma escolha do projeto.

Qual software é usado em BIM?

Os mais conhecidos no Brasil são o Revit, da Autodesk, e o Archicad, da Graphisoft, mas existem outros. O formato aberto IFC permite trocar modelos entre programas diferentes, e é ele que vale pedir quando o modelo vai circular entre escritórios.

O cliente recebe o modelo BIM?

Depende do contrato. O modelo pode ser entregue junto com as pranchas, em formato nativo ou em IFC, e vale definir isso antes do início do projeto, junto com o nível de detalhe esperado.

BIM serve para reforma pequena?

Serve, e o ganho cresce com a quantidade de instalação envolvida. Em reforma de consultório só com troca de acabamento, o desenho tradicional resolve. Em reforma com nova sala de procedimento, pontos de água e climatização, o modelo ajuda a compatibilizar.

BIM substitui a visita técnica?

Não. O modelo parte de um levantamento do imóvel, e a visita técnica é o que confirma medidas, prumadas e instalações existentes antes de modelar. Em prédio antigo, o levantamento cuidadoso é o que dá confiança ao modelo.

Por onde começar um projeto de saúde em BIM

BIM na arquitetura de clínicas e hospitais serve para reunir arquitetura, instalações e equipamentos num modelo só, testar o fluxo antes da obra e manter a documentação coerente até a aprovação. O ganho aparece na compatibilização, no quantitativo e na manutenção depois da obra.

O critério que orienta a decisão é o número de instalações envolvidas: quanto mais disciplinas dividem o mesmo espaço, mais o modelo compensa. Se você está planejando um estabelecimento de saúde, fale com a nossa equipe e conte quais atendimentos ele vai oferecer.

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Luisa Kanno

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